terça-feira, 19 de maio de 2009

"Casa Pré-Fabricada"




Há sempre uma estrada a cortar caminhos. Uma milha de terra a preparar a distância.
A viagem para o desconhecido passa sempre pelo passado pisado por um dois pés que recalcaram todo o há-de vir. Não se fazem planos para que os mapas não sejam cordas a prender o coração. Não há mais nada na alma senão uma mala de roupa e uma caixa onde o para sempre futuro ficou selado com o ranger de um piano velho que perdeu o sono depois de tanto ter tocado o amor.
O amor faz destas coisas. Desafina guitarras, desarruma bagagens e desarma a vida. Expõe o rumo e impede o regresso.
Não há retorno, não há tempo para transformar o óbvio no possível. As malas estão feitas. O caminho traçado. O passado repete-se.



P.I:Um dia... Um dia, hei-de trocar a mala pelo homem.

3 comentários:

Anónimo disse...

Carrega a mala, vais precisar de muda de roupa, não podes andar para sempre com roupa de fim, precisas de pelo menos mais uma muda de começo.
E hás de aprender que não há ponto final sem um parágrafo seguinte, e mesmo quando nos parece ver um "Fim", há sempre outro livro.
Vai, e aprende que somos nós que escrevemos.
E no final, fomos nós que morremos.

Anónimo disse...

E ele será um homem cheio de sorte.

Isabel Campos disse...

o passado sempre pisado por dois pés.