segunda-feira, 23 de março de 2009

A ordem que o Vento não cumpriu

A esperança média de vida do vento é incrivelmente pequena, se atendermos a seu tamanho poder. Assim, preocupam-se, os mil ventos, em deixar a descendência bem educada.

A história que vos conto hoje é sobre as peripécias de um Pai Vento na difícil tarefa da educação de um filho.

Está um dia abrasador e seca. O Vento está mais preocupado com a sua mais-que-tudo que está a dar à luz. Não tinha nem tempo nem cabeça para ir passear até às praias quentes nem cumprimentar as folhas verdes dos parques. A gravidez tinha sido complicada e nada podia correr mal! Ouviu-se um gemido do quarto dos fundos, seguidos de outro e outro. Uma azáfama de correntes e de outras ventanias que tinham vindo ajudar ao parto. Ele ficara de fora a ver tudo e inquietava-se com tanto reboliço. Ouve-se um assobio, depois dois, três e quatro. Não se suportava o barulho e o Vento foi ver o que se passava. Assim que entrou no quarto, viu as quatro concubinas em redor da cama, lamentando o silencia de mais um sopro, a acalmia de mais um vento. A criança sobrevivera, a mãe perdera-se entre uma qualquer quieta nuvem esponjosa.

Nesse dia, nem o afago do Sol, nem a leveza das nuvens acalmaram a ira do Vento. Assim aconteceu por mais uns dias em que valeu aos pobres mortais a idade já avançada do vento e a sua decrépita força.

Havia, contudo, uma criança para educar e apesar da dor e saudade que sentia, uma bênção tinha-lhe sido dada.

Na educação dos ventos há dois objectivos fundamentais: aprender a voar e a assobiar. É, também, importante educar o seu temperamento, de modo a evitar desastres para os vulneráveis humanos. O pequeno Vento desde cedo se mostrou dotado na arte de voar, inclinava-se com o grau certo e era de uma suavidade tão delicada que deixava todas as moças bonitas com um sorriso na cara à sua passagem. O assobio era um pouco complicado para ele, por causa do pequeno problema respiratório que tinha, mas nada de muito grave que com o tempo não se resolvesse. O temperamento, esse era o mais complicado… o Pai Vento tinha criado, sozinho, uma criança de uma brandura extrema, mas extremamente distraído e teimoso!

Imaginem só a preocupação do Pai Vento no primeiro dia de estágio do seu rebento… Para sua surpresa, o pequeno portou-se à altura! Cumprimentou, suavemente, as folhas do Parque da Cidade e refrescou os rostos dos banhistas. Para se divertir um bocadinho, fez umas folhas de um grupo de estudantes esvoaçar pela esplanada da Praça. Como o reboliço que causou deu umas belas gargalhadas e fê-los rir também!

O assobio não foi perfeito, mas como o objectivo era praticar o voo, ficou aprovadíssimo!

Continuou a praticar, nunca largando a sua distracção e demonstrando por vezes uma teimosia que tirava o pai do sério.

Até que um dia algo de grave chegou aos ouvidos do Pai Vento: O Mau-Vento saíra do seu poiso e decidira destruir cidades inteiras, provocando furacões e tornados que instalaram o pânico naquela população. Pai e filho tinham agora uma tarefa: avisar toda a parte Este da Terra e reunir todos os ventos para travar o malvado! O Sr. Vento já tinha alguma idade e, por isso, incumbiu essa tarefa ao filho. Eram muito importante que ele se dedicasse por inteiro à tarefa. Não só tinha a responsabilidade de avisar outros ventos como de combater o Mau-Vento e pelo teria que enfrentar alguns contratempos preparados pelas brisas traiçoeiras, servas do maldito.

O jovem vento partiu em missão com uma determinação e responsabilidade nunca antes vista e voou as primeiras milhas com tal velocidade que se estivesse a uma altitude inferior teria provocado alguns danos nada bonitos por onde passara.

Escapou de algumas armadilhas como nuvens falsas e emboscadas graças à sua destreza e inteligência e como já tinha avisado uma boa parte dos ventos e ventanias decidiu descansar um pouco e visitar a cidade de Lisboa. Queria passear em todos os seus parques, tocar no Rio Tejo, visitar os mais belos monumentos e dar uma voltinha na Baixa Pombalina, para ver todo aquele reboliço de cidade. Aquando esse último passeio encontrou uma bela moça a esboçar todo aquele cenário de cor, sons e vidas que se cruzam e entrelaçam sem saberem como e porquê, que se tocam através do vento calmo e nem notam a sua presença. Ficou encantado com a sua pele branca e os lábios bem vermelhos e decidiu segui-la, para a tentar conhecer mais um pouco. Ficou horas a observá-la e assim que ela começou a levantar-se ele despertou e preparou-se para a seguir. Passaram por ruas imensas e repletas de confusão, por um parque murcho que recebera pouco cuidado, entraram no metro e ele deixou-se fascinar pela imensidão de gente em tão pequeno espaço… a velocidade do metro não era nada de fantástico, mas achava curioso que o ser humano conseguisse equiparar a rapidez de um monte de metal às capacidades do vento!

Passaram-se dias e dias em que, o agora não tão pequeno, vento só se dedicara à encantadora menina do Chiado até que reparou que a população estava especialmente agitada. Estava em todos os noticiários: o Mau-Vento estava a chegar!

Esquecera-se completamente da sua missão! Por sua culpa a praia lusitana ia ser destruída, assim como a sua musa. A culpa inundou-o e arrebatou-o de tal modo que ficou desorientado. Não sabia o que fazer. A sua distracção tinha-o feito pagar caro. Tinha que resolver o problema de alguma maneira, só não sabia como… Desatou a voar com a máxima rapidez que tinha e ainda conseguiu avisar dois ou três ventos, mas não havia tempo para mais. Tinha que o enfrentar sozinho!

Pediu aos seus companheiros que resguardassem a costa portucalense que ele ia para o Atlântico tentar combater o velho demónio voador.

Assim que se aproximava do maquiavélico vento mais percebi a sua imensidão. No entanto, estava já fraco e velho. Ia ser mais fácil combatê-lo… Ordenou-lhe que parasse, mas de nada valeu. Viu-o revirar barcos e canoas, levar o mar ao extremo da sua rebelião até que decidiu atacá-lo. Voou contra ele e tudo o que se via era uma grande massa, uma espécie de tornado gigantesco de onde nada se conseguia distinguir. Grande foi a confusão até que um deles foi projectado e esvaiu-se em pó de nada. O Mau-Vento tinha sido derrotado, mas os estragos eram irreparáveis.

O outrora pequeno e inocente vento era responsável por cidades destruídas, pessoas sem alimentos e lares, por pessoas sem nada. Tudo o que haviam construído, tudo o que fora projectado estava agora arruinado graças à leviandade e irresponsabilidade de um jovem vento que se perdera na dimensão do impossível e inatingível.

Ao dirigir-se para casa, lembrou-se da sua musa. Procurou-a e acabou ser rápida a busca dado que a encontrou estendida na areia, com a cor da morte e o olhar vazio do fim. Não só perdera o direito a ser vento, como o ser mais bonito que alguma vez encontrara. Estava tudo perdido.

Voltou para casa e foi castigado. A pena foi pesada, mas nada doía mais que a perda do que imaginara ser tudo.

Alguns anos mais tarde, contou esta história aos filhos, no intuito de os ensinar a ser responsáveis e a cumprir com o prometido. Ensinou-lhes o quão duro é perder a confiança de um pai que tudo tinha feito para que nada lhe faltasse; o quão doloroso é sentir o fracasso na pele e o encargo do desabar de meio mundo; e o pior de tudo: o quão difícil é deixar de virar as costas à luz quando esta se esfumou por sua culpa.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Partilhas


Rejazz - Regina Spektor

"Rejazz"

Thought I'd cry for you forever
But I couldn't so I didn't
People's children die and they don't even cry forever
Thought I'd see your face in my mind for all time
But I don't even remember what your ears looked like

And the clock still strikes midnight and noon
And the sun still rises and so does the moon
Birds still migrate south and people move on
Even though I'm no longer in your arms
Thought the mountain would crumble
And the rivers would bend
But I thought all wrong and the world did not end
Guess the maps will just have to stay the same for a while
Didn't even need therapy to rehabilitate my smile
Rehabilitate my smile

Thought I'd cry for you forever
But I couldn't so I didn't...

P.I: Fantástico!

sábado, 14 de março de 2009

Partilhas

P.I: Fantástico!

domingo, 8 de março de 2009

"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena."



P.I: É?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Bolo de Nós.. ai, Nóz!

Hoje foi o fim do que nunca poderia ter sido alguma coisa e desta vez não há cola que una os papéis rasgados por alguém que não eu.





P.I: Em compensação, recebi um presente maravilhoso! Nhami!

terça-feira, 3 de março de 2009

Partilhas





P.I: Apaixonei-me por esta música, hoje!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sugestões


Todas as semanas, no CÂMARA CLARA, Paula Moura Pinheiro convida gente que gosta de artes e ideias para conversar sobre os livros, os espectáculos, os filmes, as exposições e as conferências da actualidade, sem esquecer os Clássicos que, por serem Clássicos, nunca envelhecem.



P.I: Todos os Domingos por volta das 22h30.