sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Passagens

"Da minha aldeia vejo quanto da Terra se pode ver o Universo...
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, Escondem o horizonte, Empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.

Porque eu sou do tamanho que vejo
E não do tamanho da minha altura."


Alberto Caeiro


P.I: "Porque eu sou do tamanho que vejo
E não do tamanho da minha altura"

1 comentário:

Anónimo disse...

Tão bonito...