segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Impulsos

Espera,
vem sentar-te na rocha fria
ver a areia cair a nossos pés.
Volta,
vem sentir o desgosto,
provar o gosto da impotência
perante o desabar do mundo.
Não vás já.
Há tanto para (vi)ver,
tanto por que cegar.
Foge à tua sorte,
endireita as linhas que Deus entortou,
fecha o portão que nos abriram
e rende-te ao traço do rio.
Espera,
deita-te a meu lado,
e diz-me que acabou.


P.I: E diz-me que acabou.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Passagens

"Da minha aldeia vejo quanto da Terra se pode ver o Universo...
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, Escondem o horizonte, Empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.

Porque eu sou do tamanho que vejo
E não do tamanho da minha altura."


Alberto Caeiro


P.I: "Porque eu sou do tamanho que vejo
E não do tamanho da minha altura"

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Memórias

Marco na pele os vestígios dos teus cortes, da tua confiança e inocência.
Não dói. A dor que sinto no peito, o pesar dos olhos, a vontade de cair com a areia é mais forte que a tua caligrafia cravada em mim.
Não me fixes com teus olhos de carvão, não me toques com a tua pele escura, nem me fales com a tua voz grave que nem melodia de Bach... ou serei obrigada a implorar-te que te entrelaces em mim e me apertes como se o tempo estivesse a acabar. Como se tudo o que nós fomos, toda a nossa essência se transformasse em pó que é. Lembro aquele cigarro que só eu fumei contigo às escuras, onde fomos plenos de espírito e do outro. Lembro da música que criámos juntos e da dança que vimos os outros dançar. A nossa, nunca dançada por nós.
Olho para o espelho e ouço a queda do tempo dentro do relógio de areia. Eu parei. Hei-de avançar quando a tua voz deixar de ser minha e o teu olhar me pertencer. Correrei, depois, para apanhar o tempo perdido e para apagar as cicatrizes que deixaste.



P.I: São páginas soltas, mal arrancadas pelo tempo.

sábado, 20 de setembro de 2008

Mal por mal




Já sou quem tu queres que eu seja,
Tenho emprego e uma vida normal.
Mas quando acordo e não sei
Quem eu sou, quem me tornei
Eu começo a bater mal.
O teu bem faz-me tão mal!

Já me enquadro na tua estrutura.
Não ofendo a tua moral.
Mas quando me impões o meu bem
Eu ainda sinto aquém.
O teu bem faz-me tão mal,
O teu bem faz-me tão mal!

Sei que esperas que não desiluda,
Que por bem siga o teu ideal.
Mas não quero seguir ninguém
Por mais que me queiras bem.
O teu bem faz-me tão mal,
O teu bem faz-me tão mal!

Sei que me vais virar do avesso
Se eu te disser foi em mim que apostei.
Não, não é nada que me rale
Mesmo que me faças mal.
Do avesso eu te direi:
O teu mal faz-me tão bem!


P.I: E Não é que não me canso deles?

Portugal, o eterno país medíocre

Tenho que partilhar a minha irritação pelo facto de Portugal dar prioridade aos maus e incompetentes. Os bons ou os que se esforçam são jogados para o lado, como se nada valessem. Ai, Deus queira continue a ser empurrada, no mínimo até à fronteira...


P.I: Ou mais longe, quiçá?

domingo, 14 de setembro de 2008

É oficial...

...o regresso às aulas para mim não é, de todo, uma alegria!



P.I:Pff...

sábado, 13 de setembro de 2008

Passagens

"Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades,
Muda-se o ser,
muda-se a confiança.
Todo o mundo é composto de mudança
Tomando sempre
novas qualidades"


P.I: Luís Vaz de Camões

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Desabafos

Às vezes as cordas estão demasiado afinadas, a melodia quase perfeita.


P.I: É só pegar na vida e rodá-la.

sábado, 6 de setembro de 2008

Tempo

Serei em plenitude quando o tempo parar, quando me deixar ir para além de si, quando me amar mais do que o amei no seu fim.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Cultura



Há 10 anos que Sernancelhe promove este evento e cada ano melhora, cada ano tem mais participantes e mais países envolvidos! É mesmo bom ver que meios pequenos se disponibilizam para grandes coisas, é refrescante!


P.I: Como me lembro de adormecer ao som de guitarras com apenas 7 aninhos! :)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Projectos inacabados

Devagar
se o vento não mudar
vou dar até sentir
que há uma razão para crer
que é bem melhor existir
não sei
não vejo luz em mim
tão pouco em mais alguém
só quis tocar o céu
não quero mal a ninguém
eu sei
diz-te a canção do medo
vê se um dia o tempo nos traz
mas perde a noção do tempo
quando eu amo é sempre devagar.


P.I: Ornatos Violeta.